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Com pet para a Irlanda: o calendário manda

Cães, gatos e furões podem entrar na Irlanda quando chip, vacina e documento estão em ordem. Vindo do Brasil, entram ainda a sorologia antirrábica e uma espera de três meses; no cachorro, um tratamento contra a tênia numa janela de poucos dias.

Uma pessoa caminha entre árvores altas cobertas de musgo, a luz entra inclinada entre os troncos.

Para muitas famílias, o cachorro é o membro da família de quem se fala por último na mudança, e é ele que, no fim, define o cronograma. A Irlanda deixa entrar pets vindos do Brasil sem quarentena, desde que todas as exigências estejam cumpridas. Só que, do Brasil, o caminho começa meses antes do voo, com um exame de sangue, e no cachorro a entrada depende ainda de um registro com data e hora no certificado. Quem perde um desses prazos chega ao aeroporto com um animal que não pode seguir assim.

Esta página vale para o transporte particular de cães, gatos e furões, no máximo 5 animais por viagem, que viajam com o dono ou, com autorização por escrito, com uma pessoa autorizada dentro de cinco dias da viagem do dono. Para outros animais, para venda ou para mais animais valem regras próprias.

O que mudou em 2026

Desde 22 de abril de 2026, a viagem com animais de estimação para a UE segue novas bases legais: o direito europeu de saúde animal, com o Regulamento Delegado (UE) 2026/131 e o Regulamento de Execução (UE) 2026/636. Eles substituem o antigo regulamento de 2013 que muitas fichas ainda citam, inclusive a página do Ministério da Agricultura irlandês. O 2026/636 traz a lista dos países de fora da UE dispensados do exame de sangue. O Brasil não está nela.

Dois pontos são novos. O passaporte europeu do animal agora fica expressamente reservado a donos com residência principal na UE; para uma família que se muda do Brasil, o documento é outro, o certificado sanitário da UE. Para uma família que já mora em Portugal ou em outro país da UE e de lá se muda para a Irlanda, nada muda: o passaporte europeu vale, e passaportes emitidos antes da data de corte continuam válidos.

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Chip, vacina, sorologia, documento

A ordem é obrigatória. Primeiro o microchip padrão ISO 11785; quem tem outro chip leva o próprio leitor. Depois a vacina antirrábica, no mínimo com 12 semanas de idade, aplicada por um veterinário autorizado. Uma vacina dada antes do chip não conta e precisa ser repetida. Depois da primeira vacina vale um prazo de espera de pelo menos 21 dias; se o fabricante da vacina prevê um prazo maior, vale esse.

Vindo do Brasil, entra em seguida a sorologia antirrábica: a coleta de sangue acontece pelo menos 30 dias depois da vacina, a amostra vai para um laboratório aprovado pela UE, e o resultado precisa mostrar pelo menos 0,5 UI/ml. Com o resultado bom, o animal ainda espera 3 meses a partir da data da coleta antes de poder entrar na UE, Irlanda incluída. O exame vale pela vida do animal enquanto a vacina for renovada sem interrupção; se a cobertura vencer, tudo recomeça. Conte, portanto, com pelo menos quatro meses entre a vacina e o embarque.

Como documento, o animal que sai do Brasil viaja com o certificado sanitário da UE. No Brasil, quem o emite é o Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA), como Certificado Veterinário Internacional (CVI): o pedido é feito por um médico-veterinário habilitado na plataforma gov.br, entre 9 e 3 dias antes do embarque. O certificado precisa ser endossado por um veterinário oficial do país de saída dentro de 10 dias antes da chegada à UE e vai sempre em via original, carimbada e assinada; cópias e impressões digitais não são aceitas. A família que vem de Portugal ou de outro país da UE usa o passaporte europeu do animal, sem sorologia.

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O tratamento contra a tênia

A Irlanda é um dos poucos países livres da tênia Echinococcus multilocularis, e quer continuar assim. Por isso, todo cachorro precisa ser tratado por um veterinário antes da entrada, com um produto à base de praziquantel, no mínimo 24 horas e no máximo 120 horas antes da chegada prevista, ou seja, entre cinco dias e um dia antes. O veterinário registra o tratamento no certificado ou no passaporte, com data, hora, produto, carimbo e assinatura.

Conte a janela a partir do horário de chegada do voo ou da balsa à Irlanda, e não a partir do dia da partida. Um voo que sai do Brasil à noite e, com conexão, pousa na Irlanda no dia seguinte desloca a janela em quase um dia. E planeje folga: se o voo atrasar e a janela passar, o cachorro precisa de um novo tratamento.

Ficam de fora só os cães que chegam diretamente da Finlândia, de Malta, da Noruega ou da Irlanda do Norte. Gatos e furões não precisam de tratamento contra a tênia.

O que a Irlanda exige na entrada
PontoVindo do BrasilVindo da UE
Microchip antes da vacinasimsim
Vacina antirrábica a partir de 12 semanassimsim
Espera depois da primeira vacina21 dias21 dias
Sorologia antirrábicasim, 3 meses de espera depois da coletanão
Documentocertificado sanitário da UE (CVI do MAPA)passaporte europeu do animal
Tratamento contra a tênia (cachorro)24 a 120 horas antes da chegada24 a 120 horas antes da chegada
Aviso prévio e inspeção agendadasim, num dos seis pontos de entradanão

Fonte: Department of Agriculture, Food and the Marine: Pet Travel (atualizado em 5 de agosto de 2026) e portal pettravel.gov.ie (páginas UE e Suíça, Grã-Bretanha, países listados e demais países); Regulamento Delegado (UE) 2026/131 e Regulamento de Execução (UE) 2026/636, EUR-Lex; GOV.UK, Bring your pet to Great Britain (21 de outubro de 2026); MAPA, “Sair do Brasil”. Atualização: consultado em 6 de novembro de 2026.

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A entrada vindo do Brasil

Quem vem de fora da UE só pode entrar na Irlanda com o animal por seis lugares: Dublin Airport, Dublin Port, Rosslare Europort, Cork Airport, Port of Cork in Ringaskiddy, Shannon Airport. Você avisa a chegada antes, pelo portal do Ministério da Agricultura irlandês, e agenda a inspeção na chegada, que, para animais vindos da maioria dos países de fora da UE, é cobrada por animal. Do aeroporto ou do porto você só sai depois dela.

Se o voo fizer conexão num aeroporto europeu e o animal fizer ali a primeira entrada na UE, por exemplo em Lisboa, a inspeção pode ser feita lá; nesse caso, você leva a prova disso, o certificado carimbado. Se ninguém inspecionou o animal no caminho, a inspeção acontece na chegada à Irlanda. O que vale é o lugar de onde o animal chega: uma escala na Grã-Bretanha muda as regras, então combine a rota antes.

Se o animal vai na cabine, como bagagem ou como carga, quem decide é a companhia aérea. Em Dublin, animais que chegam como carga são inspecionados no posto de fronteira do aeroporto, em horário comercial; fora dele, só com aprovação prévia. Para um animal despachado como carga que faz trânsito pela UE, o MAPA exige ainda um CVI de trânsito, além do CVI do destino.

Para a viagem em si: acostume o animal antes à caixa de transporte, dê pouca comida no dia e deixe água, guia e uma manta conhecida à mão.

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Vindo da Europa: direto ou pela Grã-Bretanha

Para a família que se muda de Portugal ou de outro país da UE de carro, o caminho mais simples é a balsa direta do continente, da França para Rosslare, Dublin ou Cork. Quem entra diretamente da UE não precisa de aviso prévio nem de inspeção agendada; o ministério faz checagens por amostragem. Reserve o lugar do cachorro junto com a travessia. Como funcionam as balsas para o sudeste está em Transporte.

Quem vai pela Inglaterra e pelo País de Gales, a chamada landbridge, atravessa com o animal um país de fora da UE. É possível, mas fica mais trabalhoso em dois pontos:

  • Entrada na Grã-Bretanha. A Grã-Bretanha aceita o passaporte europeu do animal, exige uma rota autorizada e um tratamento próprio contra a tênia para cães antes da entrada. As regras estão em gov.uk.
  • Entrada na Irlanda. Vindo da Grã-Bretanha, os animais só entram pelos mesmos seis lugares, com aviso prévio e inspeção agendada, que para animais vindos da Grã-Bretanha é gratuita.

E, para o cachorro, a janela da tênia vale para cada entrada separadamente: uma vez antes da Grã-Bretanha, outra antes da Irlanda; o segundo tratamento pode ser dado por um veterinário britânico. Pela Irlanda do Norte, as regras simplificadas do Acordo de Windsor são só para animais que vivem no Reino Unido; um animal vindo da UE entra em Belfast ou Larne pelas regras europeias completas e, de lá para a República, não precisa de novo tratamento contra a tênia.

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Depois da chegada

Para cães, a Irlanda tem duas obrigações que donos de gatos não conhecem. Todo cachorro precisa de uma licença (dog licence), por um ano ou pela vida inteira do animal, comprada nos correios ou online em licences.ie. E todo cachorro precisa estar com chip e registrado em nome do dono num banco de dados irlandês autorizado. O chip trazido do Brasil fica; o registro precisa ser feito de novo, no endereço irlandês de vocês.

Traga mais do que o certificado: o histórico de vacinas, laudos e radiografias, os nomes e doses de todos os remédios e, se o seu animal precisa de ração especial, um estoque para as primeiras semanas. Assim o veterinário irlandês não examina nada em dobro. Peça ao seu veterinário um resumo curto em inglês.

Depois, vale a pena conhecer uma clínica veterinária perto de casa antes de precisar dela. Muitas clínicas do interior atendem pequenos animais e animais de criação e conhecem as praias onde, no verão, a guia é obrigatória.

E, se vocês forem alugar: no mercado de aluguel irlandês, pets são uma desvantagem, porque muitos proprietários não gostam deles. Como se impor mesmo assim e por que comprar fora de Dublin muitas vezes é o caminho mais fácil está em Alugar.

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O cronograma

Contem de trás para a frente a partir do dia e da hora da chegada:

  • Cinco meses antes, ou mais: conferir chip e carteira de vacinação. Se a vacina antirrábica estiver em dia, renová-la antes de vencer; se venceu ou foi dada antes do chip, vacinar de novo e esperar.
  • Pelo menos 30 dias depois da vacina: coleta para a sorologia; a partir da data da coleta correm os 3 meses de espera.
  • Com a reserva: garantir o lugar do animal no voo, escolher o ponto de entrada na Irlanda e fazer o aviso prévio com a inspeção agendada.
  • Entre 9 e 3 dias antes do embarque: o veterinário habilitado pede o CVI no gov.br.
  • Cinco dias a um dia antes da chegada: tratamento contra a tênia no veterinário, registrado com hora.
  • No dia da chegada: certificado original à mão, esperar a inspeção antes de sair do aeroporto.
  • Nas primeiras semanas: licença do cachorro, registro do chip na Irlanda, clínica veterinária local.

O que mais vem nas primeiras semanas, do carro à internet, está na seção Chegar.

O cronograma com horários e a conferência do passaporte do animal vocês recebem no Pacote mudança de pets Irlanda, € 700.

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Pergunte a quem já fez a travessia

O Marc se mudou para a Irlanda com a mulher e os cinco filhos e mora lá. Na conversa, ele calcula com vocês o caminho do seu animal, do voo até o primeiro veterinário no lugar.

A consultoria é feita em inglês.

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